Tinha de ser ela.

No Dia Internacional da Mulher (8/03), precisava falar sobre Clarice Lispector. Afinal, Clarice criou muitas mulheres, enquanto personagens, claro, mas também criou leitoras.

Suas mulheres foram tão diversas quanto o Brasil, apesar de muitas de suas histórias se passarem especificamente no Rio de Janeiro. Poderia ser em qualquer lugar, já que o ambiente que mais interessa Clarice é o interno. O que essas mulheres sentem? O que pensam? Ao retratar cenas do cotidiano, a autora mostrou que uma mulher, na verdade, são várias.

Clarice foi muitas mulheres. Foi filha, mãe, estudante de Direito, profissional das letras. Foi jornalista, conselheira e até bruxa! Foi ucraniana, brasileira e do mundo inteiro. Por isso que o livro Todos os Contos é tão feliz em sua publicação. Reunir os escritos de Clarice Lispector foi um presente para todos os admiradores da autora, que fazem com que, após quase 40 anos de sua partida, ela ainda permaneça viva.

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Publicado no Brasil pela editora Rocco, Todos os Contos foi lançado primeiro fora do País e apareceu na lista do jornal The New York Times como um dos livros mais importantes de 2015. A obra reúne contos escritos desde a adolescência até o fim de sua vida. A leitura em ordem cronológica deixa claro que a essência da literatura de Clarice sempre esteve lá, desde os seus 19 anos. As mulheres de Clarice crescem, se desenvolvem e envelhecem com ela. Em seus dramas, em questionamentos, em alegrias.

Muitas pessoas conhecem a obra de Clarice Lispector nos anos que antecedem o vestibular, posto que um de seus romances, A Hora da Estrela, é exigido em diversas provas. No entanto, lembrei-me de um contato ainda mais precoce com sua obra: aos nove anos, como leitora voraz da série Para Gostar de Ler. Os volumes de contos, emprestados da biblioteca da escola, me trouxeram os primeiros textos de Clarice. Anos mais tarde, no ensino médio e na faculdade, retomei seus contos e descobri seus romances. Quando entrei para o jornalismo feminino, e, assim como ela, recebi críticas como se ele fosse um gênero menor, seu Só Para Mulheres ficava em minha mesa de trabalho. E me deu muitas ideias de pauta, mesmo reunindo textos escritos nas décadas de 1950 e 1960.

Queria contar histórias como Clarice: mergulhar em personagens, desdobrar sentimentos, ver além da luz que entra pela janela. Refletir histórias e me refletir, mas sem nunca sobrepor.

Clarice me fez leitora, me fez escritora, me fez mulher. Por isso, hoje, tinha de ser ela.

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One thought on “Mulheres, com Clarice Lispector

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