O avião pousa, abre-se a entrada da aeronave. Você sai e vê um lugar diferente, com placas estranhas, escritas em um idioma que você não conhece. Tenta se achar, mas acredita que vai precisar pedir ajuda. É o primeiro momento que você se sente um estrangeiro.

Se você já viajou para fora do Brasil, provavelmente se identificou com essa cena. No entanto, somos viajantes; turistas que entram e saem – mas, e se não desse para sair? Se o seu país natal está em guerra? A protagonista do livro de hoje está assim, sem opção de voltar para casa. Estamos falando de Irisz, de Irisz: as Orquídeas, protagonista da obra de Noemi Jaffe. A jovem botânica fugiu de Budapeste e veio parar no Brasil para estudar…orquídeas, claro!

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Aqui conhece Martim, que lhe dá abrigo e trabalho no Jardim Botânico – um lugar que já visitamos, gostamos e falamos bastante aqui no blog. Se você não viu nossos posts sobre o parque, clique aqui e confira.

Ao longo do livro, escrito ora na voz de Martim, ora na voz de Irisz, que vai divagando sobre estar tão longe de casa e conhecendo mais sobre uma planta que ela nem sabia que existia. Ao mesmo tempo, busca saber informações sobre a Hungria. Será que a guerra terminou? Será que eu posso ajudar de qualquer forma, mesmo de longe? Como estará sua mãe? Além do pai, que nunca conheceu…

Contudo o que mais chamou minha atenção foi justamente essa questão que pontuei no começo do post de hoje: o “ser estrangeiro”. Tem gente que estranha, outros que já chegam em novos países se sentindo em casa (acho que faço parte desse segundo grupo rs). Mas, no fundo, cada um pertence a um lugar, e uma nação, por mais parecida que seja, nunca é igual à outra. Linguagem, costumes, formas de se vestir – tudo isso nos faz lembrar que estamos longe de casa. E, se é uma viagem sem volta como a Irisz, que vamos precisar nos adaptar a uma nova realidade, e isso pode ser muito rico.

A obra de Noemi Jaffe é estranhamente fácil de ler. Apesar de misturar termos técnicos de botânica e jardinagem, suas palavras são doces e ágeis, transformando até os momentos mais tensos em assuntos mais leves. É um livro para ser devorado!

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