Logo que cheguei aqui em Milão, a cidade parecia mais um campo de obras. Gruas, andaimes, desvios e tapumes por toda parte. Era setembro de 2014 e a capital lombarda estava terminando seus preparativos para receber gente do mundo inteiro para um dos principais eventos internacionais que um país tem a honra de sediar: a Exposição Universal.

A dimensão pode ser bem menor do que a de eventos esportivos internacionais, como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas, mas ser escolhido como palco de uma Exposição Universal não só dá prestigio a uma cidade, mas também é uma grande oportunidade para receber investimentos e ganhar projeção em todo o mundo.

Apelidada de Expo 2015 (aqui se pronuncia “Ecspô”), a feira serviu quase como um divisor de águas para Milão e se veem repercussões até agora na cidade. Conversando com as pessoas que vivem aqui, frequentemente ouço gente dizendo “Milão mudou muito desde a Expo. A cidade parece ter renascido em alguns aspectos, está mais bonita, mais internacional, mais viva”.

Óbvio, nem tudo são flores, mas acredito que desde as últimas reformas a cidade realmente ganhou um respiro mais dinâmico, com muitos eventos gratuitos, novas atrações e um reforço a eventos já tradicionais, como o Salone del Mobile (e o simultâneo Fuori Salone) para os apaixonados por design, ou as Fashion Weeks que atraem ícones da moda do mundo todo. A verdade é que o turismo por aqui continua crescendo firme e forte: aos 5,3 milhões de visitantes de 2015, a cidade viu um aumento de 2% em 2016 e, só no primeiro semestre de 2017, já registrou a chegada de 3 milhões de turistas (um incremento de 13% comparado ao ano passado). O objetivo é chegar a 6 milhões até o fim do ano.

Milão tem batido recordes de turistas até no verão! E se isso não soa tão esquisito pra você, me explico: verão para os italianos é sinônimo de mar ou montanha e belas e abronzadas férias. Cidades mais industriais como Milão, que não têm praia, costumavam ficar desertas (mesmo), especialmente na semana de 15 de agosto, o dia de Ferragosto. Esse é um feriado tão feriado que nem os jornais trabalham (plantão!? Que isso!). Mas nos últimos anos, especialmente graças a turistas estrangeiros, a cidade vem se mantendo sempre viva mesmo nos meses mais quentes do ano.

O que é uma boa noticia inclusive pra quem acaba não conseguindo viajar por muito tempo nas tórridas semanas do fim de julho e começo de agosto. O verão milanês tem investido em vários eventos (tantos deles gratuitos) nos muitos parques, praças, cascinas (uma espécie de pequena chácara onde normalmente se pode comprar produtos bio a quilômetro zero, ou sentar pra saborear uma refeição de lamber os beiços), museus, igrejas, no castelo e em outros espaços da cidade que estão se reinventando, como a Fabbrica del Vapore. Essa última, por exemplo, de uma grande indústria de materiais ferroviários no século XIX, se transformou em um dos mais disputados espaços para exposições de arte, feiras especializadas, eventos de empresas… enfim, um lugar rústico e versátil que acredito traduza um pouco a atmosfera de uma Milão que passou de cidade industrial a uma pequena metrópole europeia em constante evolução.

Mas, voltando à Expo, deixo aqui algumas dicas caso venha passear por essas bandas: além da nítida mudança de ares que deixou na cidade, a feira mundial também deixou algumas estruturas aqui e ali pra lembrar da sua passagem.

Il Terzo Paradiso – La Mela Integrata de Michelangelo Pistoletto

Essa maçã gigantesca foi criada por Pistoletto seguindo o tema da Expo 2015: Alimentar o planeta, energia para a vida. Originalmente, ela foi colocada em frente ao Duomo di Milano, a catedral da cidade e um dos seus principais pontos turísticos. A grande maçã era então coberta de relva verdinha, com uma “mordida” fechada graças a uma costura de metal. Representava a harmonia possível entre o natural e o artificial nos tempos de hoje.

Mas se você for hoje à praça do Duomo não vai mais encontrá-la.

A continuação da obra de Pistoletto foi inaugurada em 2016 de frente à Estação Ferroviária Central, agora toda branca, agora como um símbolo perene da sustentabilidade.

Unicredit Pavillion

unicredit

Esse centro de conferências e espaço de eventos é um dos destaques de uma das praças mais modernosas de Milão: a Praça Gae Aulenti. Inaugurado em concomitância com a Expo 2015, esse pavilhão foi construído em forma de semente para, em meio aos arranha-céus, semear um futuro de ideias e tecnologias capazes de aliar os recursos naturais e o avanço da humanidade. Bonito, né?

Albero della Vita

O grande espaço destinado à Expo 2015 ainda não ganhou um papel concreto na cidade desde que a feira terminou. Os pavilhões construídos ali para hospedar instalações de diversos países ainda podem ser vistos, mas sem vida, vazios. No entanto, recentemente uma das principais atrações da feira voltou a brilhar: a Árvore da Vida. Uma instalação que se ilumina com melodias, cores e um show de águas dançantes nas noites dos fins de semana milaneses.

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Por hoje, paro por aqui. Nos vemos de novo na próxima coluna!

A presto, raga! 😉

Drielle Cerri

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